Grande diversidade de répteis voadores na Inglaterra, 110 milhões de anos atrás

Os paleontólogos brasileiros Taissa Rodrigues, da Universidade Federal do Espírito Santo, e Alexander W. A. Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acabaram de publicar a revisão mais extensa disponível dos pterossauros com dentes do Cretáceo da Inglaterra. O estudo apresenta informações taxonômicas detalhadas, diagnoses e fotografias de 30 espécies e foi publicado no periódico científico de acesso livre ZooKeys.

Os pterossauros do Cretáceo da Inglaterra foram primeiramente descritos pelos naturalistas britânicos Richard Owen e Harry Seeley no século XIX, quando pouco se conhecia sobre a diversidade do grupo, o que resultou na descrição de dezenas de espécies, todas baseadas em restos muito fragmentários, representados, principalmente, pelas pontas dos bicos destes animais. No entanto, fósseis de pterossauros descobertos mais recentemente abriram uma discussão a respeito de sua diversidade.

Os resultados demonstram que estes pterossauros possuíam uma diversidade impressionante em suas aparências. Algumas espécies possuíam cristas cranianas de diferentes tamanhos e formatos, enquanto outras não tinham nenhuma. A maioria possuía grandes dentes na ponta de seus bicos e se alimentava de peixes, mas outros possuíam dentes menores, o que sugere que tinham preferências alimentares diferentes. Os paleontólogos foram capazes de identificar 14 espécies diferentes, pertencendo a pelo menos cinco gêneros, demonstrando uma diversidade muito maior do que o que se acreditava anteriormente.

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  • Fig. 1: Os holótipos das espécies reconhecidas como válidas pelos pesquisadores, colocadas em uma mesma escala, ilustram quão diversificada era esta fauna de pterossauros. (Créditos: Taissa Rodrigues & NHMUK PV 39412, NHMUK PV R 1822, NHMUK PV 39409 e NHMUK PV 43074 – Natural History Museum)

A maioria destes fósseis foi encontrada em um depósito conhecido como Cambridge Greensand, localizado na porção leste da Inglaterra. Esta unidade, uma das mais importantes do mundo para o estudo dos répteis voadores, consiste em um registro de um ambiente marinho pretérito, onde ossos que já se encontravam fossilizados e soterrados foram erodidos, expostos ao intemperismo, e soterrados novamente. Ciclos de erosão e soterramento devem ter ocorrido durante vários anos. Devido a esta peculiaridade, a assembleia de pterossauros deste depósito provavelmente apresenta uma mistura temporal de faunas, o que explicaria a alta diversidade encontrada.

Outra descoberta foi que estes répteis voadores da Inglaterra são aparentados de espécies encontrados no nordeste do Brasil e no leste da China. De acordo com a professora Taissa Rodrigues, “Isto é muito interessante, especialmente porque os continentes já haviam se separado. Se estes animais fossem migratórios, nós teríamos encontrado as mesmas espécies em todos estes depósitos.” No entanto, os cientistas descobriram que a Inglaterra, Brasil e China tinham suas próprias espécies e gêneros.

Análise dos fósseis de outros continentes demonstrou que este grupo de pterossauros já se encontrava bem distribuído em todo o planeta há 110 milhões de anos atrás, e devem ter sido importantes elementos faunísticos neste momento do Cretáceo, sendo competidores das primeiras aves, até sua misteriosa extinção alguns milhões de anos depois.

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  • Fig. 2: Este mapa mostra como os continentes estavam posicionados durante o meio do período Cretáceo. (Crédito: Ron Blakey, Colorado plateau Geosystems)

Artigo original:

Rodrigues T, Kellner AWA (2013) Taxonomic review of the Ornithocheirus complex (Pterosauria) from the Cretaceous of England. ZooKeys 308: 1–112. doi: 10.3897/zookeys.308.5559

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Simpósio Internacional sobre Pterossauros

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Finalmente, após 3 anos de espera, nesta semana ocorrerá o Simpósio Internacional sobre Pterossauros, no Museu Nacional, Rio de Janeiro, seguindo os eventos organizados em Pequim e em Munique, dos quais também participamos.

O simpósio contará com três mesas-redondas: sobre Ontogenia e Reprodução, Sistemática e Filogenia, e Novas Técnicas para o Estudo dos Pterossauros. Além disso, um total de 42 trabalhos serão apresentados em sessões orais e pôster, e publicados sob a forma de resumos completos em um livro. Para coroar a programação do simpósio, os pesquisadores poderão estudar o material depositado no Rio de Janeiro e participar de uma saída de campo para visitar afloramentos do Grupo Santana, um dos mais importantes do mundo!

Nosso núcleo de estudos será representado pela professora Taissa e pela aluna Maria Emília, e irá apresentar os resultados finais do trabalho de iniciação científica da Sabrina. Estamos muito animadas!

Para mais informações sobre o simpósio, basta visitar o site http://www.museunacional.ufrj.br/riopterosaur/

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Um pterossauro gigante nos céus do Brasil!

A esta altura, a maioria já deve ter lido as notícias de que, no mês passado, publicamos a descrição de três espécimes de pterossauros gigantes, provenientes da Chapada do Araripe. Foi um enorme prazer participar deste trabalho, que envolveu tantas instituições diferentes!

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Bom, para quem não tenha visto, seguem alguns links muito legais!

 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/03/museu-nacional-apresenta-novo-gigante-pre-historico-brasileiro-no-rio.html

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1249348-brasil-apresenta-terceiro-maior-pterossauro-ja-identificado.shtml

http://noticias.uol.com.br/ciencia/album/2013/03/20/ufrj-descobre-no-brasil-maior-pterossauro-ja-visto-no-hemisferio-sul.htm

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2013-03-20/museu-nacional-apresenta-gigante-voador-pre-historico-do-nordeste-brasileiro.html

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/03/gigante-no-ceu-do-brasil

http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=8923

http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=2620

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Novo pterossauro: Eurazhdarcho

Esse me pegou de surpresa: nosso colaborador Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, acaba de publicar a descrição de um novo pterossauro do final de Cretáceo da Transilvânia, chamado Eurazhdarcho langendorfensis. O estudo é open access e pode ser acessado em http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0054268.

Um dos autores deste artigo, Darren Naish, fez uma análise extensa e muito interessante sobre esta descoberta em seu blog Tetrapod Zoology. Além de ser uma espécie nova, Eurazhdarcho langendorfensis demonstra que os azhdarquídeos de tamanhos médios e gigantes co-existiram, indicando uma possível partição de nichos.

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2013 começa com novos trabalhos sobre pterossauros

O ano mal começou e já temos notícias de vários trabalhos legais que estão sendo publicados.

Alguns dos trabalhos completos referentes ao último Simpósio Internacional sobre Pterossauros, ocorrido em Pequim, em 2010, foram publicados na Acta Geologica Sinica – English Edition. O periódico é indexado, o que é legal, mas é uma pena que alguns autores relataram que ainda estavam aguardando o envio das correções de seus manuscritos e foram surpreendidos pela notícia da publicação de apenas alguns deles, à exclusão dos trabalhos deles. É… De todo modo, os trabalhos podem ser acessados em http://www.geojournals.cn/dzxbcn/ch/index.aspx (selecionar o volume 6 na primeira caixa da direita!)

Outro que já começou publicando foi o Chris Bennett, com dois trabalhos revisando dois gêneros de Solnhofen: um sobre Cycnorhamphus e outro sobre Pterodactylus. Sem dúvida, irão interessar ao nosso subprojeto de iniciação científica sobre pterodactiloides de Solnhofen!

Já aqui no NEPACOM, estamos trabalhando em um manuscrito sobre um anhanguerídeo do Brasil. Aguardem as novidades!

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Dysalotosaurus

Nossos colaboradores Gabriela Sobral e Johannes Müller publicaram, recentemente, um estudo sobre o ouvido interno do dinossauro Dysalotosaurus lettowvorbecki (Journal of Vertebrate Paleontology 32:5).

Hoje, os resultados dessa pesquisa foram divulgados na revista Pesquisa Fapesp. Vale a pena dar uma conferida! http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/12/10/ruim-do-ouvido-bom-da-cabeca/

Esperamos que, em pouco tempo, tenhamos resultados interessantes assim para Pterodactylus!

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Semana de Iniciação Científica

Há pouco mais de um ano atrás, um aluno, o Darcy, me procurou, na véspera de envio de projetos para o Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC).

Ganhamos uma bolsa, o aluno se formou e largou a bolsa no meio do caminho, e a Evellyn acabou ganhando uma bolsa e um projeto, que não eram dela, para terminar. “Ganhou” também um espécime para descrever e descobriu o início do quebra-cabeças que era juntar os pedaços de ossos e extrair informações a partir daí.

Esta semana, ela apresentou seu pôster na Semana de Iniciação Científica. E apresentou super bem!

Parabéns à Evellyn pelo trabalho e, ano que vem, estaremos em maior número: 4 PIICs em Paleontologia e Anatomia (além do novo projeto da Evellyn, temos a Paloma, Maria Emília e Fabiana). Sabrina (bolsa de monitoria em Anatomia e Histologia) e Ana Clara (bolsa FAPES, projeto da orientadora) têm projetos mas não entraram no PIIC que, infelizmente, tem um número limitado de alunos por professor.

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Nesta foto vemos a Evellyn, aniversariante, sendo arguida pela professora Luceli. Repararam a camiseta da Paleo?

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Paleo RJ/ES 2012

Nosso núcleo de estudos está timidamente crescendo! Ano passado, nós organizamos a Paleo RJ/ES na cidade de Alegre – ES, o primeiro evento de Paleontologia já organizado no Espírito Santo. Este ano, o evento foi organizado pela profa. Lílian Bergqvist e pelo doutorando Hermínio Araújo, na UFRJ. O NEPACOM compareceu com seis alunas de graduação, mais a orientadora. Para a maioria, esta foi a primeira participação em um evento científico e também a primeira vez no Rio de Janeiro!

As alunas Evellyn e Sabrina apresentaram dois trabalhos em forma de pôster. Também participamos das discussões, mesas redondas e gincanas, conhecemos muitos pesquisadores, e voltamos para casa com muitos livros. A saída de campo para a Bacia de Itaboraí também foi muito proveitosa. Uma experiência excelente!

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Nosso grupo: Ana Clara, Sabrina, Maria Emília, Evellyn, Taissa, Fabiana e Bárbara.

ImagemProfessor Antônio Carlos (Museu Nacional) recebendo prêmio durante a abertura do evento.

ImagemConhecendo o Museu da Geodiversidade

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Nessa me senti o próprio Alexander Kellner, perguntando para as alunas quais eram estes ossos!

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Bárbara e Maria Emília muito atentas às explicações do Hermínio sobre a Bacia de Itaboraí.

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