Apresentando o Hamipterus tianshanensis

Pterossauros chineses sexualmente dimórficos e preservados tridimensionalmente e seus ovos

Cientistas chineses e brasileiros publicaram hoje uma das mais importantes descobertas para o estudo dos pterossauros, répteis voadores que viveram no Mesozoico, há mais de 100 milhões de anos.

Os pterossauros, animais aparentados dos dinossauros, possuíam esqueletos leves e frágeis, e, portanto, a grande maioria dos seus fósseis é encontrada de modo achatado e incompleto. Além disso, a grande maioria de suas espécies é conhecida por apenas um ou poucos indivíduos, o que dificulta estudos sobre variações entre machos e fêmeas e as mudanças que ocorriam durante seu desenvolvimento.

A descoberta do novo gênero e espécie Hamipterus tianshanensis vem abrir uma importante exceção. Este réptil foi descoberto na Bacia de Turpan-Hami, na cidade de Hami, na província de Xinjiang, no extremo noroeste da China. Diferentemente do caso com a maioria dos outros pterossauros conhecidos, os cientistas puderam escavar cerca de quarenta indivíduos, incluindo jovens, adultos, fêmeas e machos, preservados tridimensionalmente, com envergaduras variando entre 1,5 e 3,5 metros. O Hamipterus demonstra que tanto indivíduos adultos como jovens possuíam cristas na parte anterior a média de seu crânio, e que, à medida que cresciam, a principal mudança que ocorria em seus ossos era uma maior robustez e largura do focinho, demonstrando que mesmo os indivíduos jovens possuíam estes adornos. A nova espécie também comprova que tanto machos como fêmeas possuíam cristas, diferentemente do imaginado antes, que elas seriam exclusivas de machos. Em Hamipterus, os machos tinham tamanhos maiores e suas cristas, de acordo, também eram maiores e mais robustas. Já as fêmeas eram menores e com cristas menores do que as dos machos, mas ainda assim conspícuas e bem desenvolvidas. Acredita-se que as cristas possuíam várias funções, dentre elas a identificação interespecífica.

Além dos restos esqueléticos destes répteis, os cientistas descobriram ao menos cinco ovos. Até então, apenas quatro ovos de pterossauros eram conhecidos, todos eles extremamente achatados. Os ovos de Hamipterus, por outro lado, são preservados tridimensionalmente. Análises de espectroscopia de raios X por dispersão em energia, feita sob microscopia de varredura, demonstram claramente que o Hamipterus punha ovos de casca maleável, mas com uma fina camada externa calcária mais rígida, similares a algumas serpentes atuais. Deste modo, os ovos fossilizados do Hamipterus apresentam-se um pouco amassados e com finas rachaduras em sua parte mais externa, mas se encontram intactos, não quebrados. Isso aumenta as chances de encontrar embriões em seu interior.

O encontro deste espetacular depósito fossilífero demonstra que estes répteis voadores eram animais de comportamento gregário e que possuíam locais específicos de nidificação, formando colônias. Provavelmente, Hamipterus enterrava seus ovos às margens de lagoas e rios, o que evitaria que eles se desidratassem. O depósito escavado é testemunha de um episódio catastrófico, em que uma tempestade que culminou em soterrar os ovos, juntamente com esqueletos de animais que já estavam mortos, preservando esta população de modo excepcional.

Publicação: Wang, X. et al. 2014. Sexually dimorphic tridimensionally preserved pterosaurs and their eggs from China. Current Biology 24: 1-8. Leia aqui

Fosseis e um ovo

Bloco contendo material pós-craniano e um dos ovos

Hamipterus - femeas esquerda machos direita

Crânios de fêmeas (esquerda) e de machos (direita)

Ovo de Hamipterus esquerda e de serpente direita

Ovo de Hamipterus (esquerda) comparado a um ovo de serpente (direita)

Hamipterus - Maurilio Oliveira

Reconstrução em vida de Hamipterus tianshanensis (por Maurílio Oliveira)

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Mais divulgação científica

Fechamos o mês de abril com mais uma ótima oportunidade de realizar divulgação científica: com uma entrevista ao vivo no Bom Dia ES no dia 22. Falamos sobre paleontologia e, claro, sobre pterossauros. De quebra, ainda levaram ao ar uma reportagem feita há alguns meses no MUSES – Museu de História Natural do Sul do Estado do Espírito Santo.

g1.globo.com/videos/espirito-santo/bom-dia-es/t/edicoes/v/paleontologa-fala-sobre-seu-trabalho-no-sul-do-es/3296575/

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Revista Universidade

O mais recente número da Revista Universidade, da UFES, trouxe uma reportagem sobre nosso trabalho e também uma curta entrevista com o presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia, prof. Max Langer. Agradecemos à jornalista Maíra Mendonça pela divulgação. Clique nas fotos para visualizar em tamanho maior.

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Viagem à China

Neste mês de março, tivemos a oportunidade de visitar o Laboratório de Evolução dos Vertebrados e Origens Humanas do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia (IVPP) em Pequim, na China, dando prosseguimento à nossa colaboração com o Dr. Wang Xiaolin, Dr. Cheng Xin e Jiang Shunxing em pesquisas envolvendo novas descobertas de pterossauros de depósitos da China.

O Dr. Cheng Xin virá ao Brasil neste mês para fazer seu pós-doutoramento no Museu Nacional / UFRJ. Já o Dr. Wang Xiaolin, líder do grupo de pesquisa em pterossauros no IVPP, estará no Rio de Janeiro em maio para assumir sua vaga como membro correspondente da Academia Brasileira de Ciências.

Um dos trabalhos feitos em colaboração com nossos colegas chineses será submetido para apreciação ao volume especial de pterossauros do periódico Historical Biology, a ser publicado no primeiro número de 2015. O periódico está recebendo contribuições a este volume até o final de Abril.

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Pterossauro traficado… de novo

2013 foi um ano muito proveitoso, com dois projetos de pesquisa em pleno desenvolvimento e nossa participação no XXIII Congresso Brasileiro de Paleontologia, 73 rd SVP Meeting, Paleo RJ-ES, e em eventos de extensão como a Semana Estadual de Ciência e Tecnologia.

Começamos 2014 com muito trabalho e disposição, participando de uma reunião para apreciar a minuta de portaria do DNPM para regulamentar os pedidos de extração de fósseis no Brasil.

Mas qual não foi a nossa surpresa ao nos depararmos, esta semana, com a notícia da venda de uma pterossauro no brasileiro, certamente fruto de tráfico, no EBay? A repórter Paloma Oliveto recebeu uma denúncia e fez duas reportagens muito boas, publicadas nos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. O que para nós já se tornou comum, para ela foi uma grande surpresa:

Loja francesa faz leilão de fóssil brasileiro no Ebay

Fósseis brasileiros estão à mercê da sorte

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Rumo a Gramado!

Oba! Nosso grupo de trabalho teve seus seis resumos aceitos para apresentação no XXIII Congresso Brasileiro de Paleontologia! Parabéns Ana Clara, Fabiana, Maria e Sabrina!

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Junho: fomos à Alemanha!

Entre os dias 17 e 28 de junho, tivemos a oportunidade de ir a instituições de pesquisa na Alemanha para coletar dados para os projetos “Pterossauros no século XXI: análise de estruturas intracranianas de Pterodactylus por tomografia computadorizada” e “Diversidade e evolução morfológica em pterossauros”, ambos apoiados pela FAPES.

A professora Taissa teve a oportunidade de visitar, novamente, a coleção de pterossauros do Jura Museum, na cidade de Eichstätt, sob a curadoria da Martina Kölbl-Ebert.

Em Munique, encontramos nossos colaboradores e amigos Oliver Rauhut, Adriana López-Arbarello, Richard Butler e Martín Ezcurra, além de conhecer os novos membros do grupo de pesquisas em Vertebrados Mesozoicos da Bayerishe Staatssammlung für Paläontologie und Geologie . O Dr. Oliver Rauhut, além de emprestar importantes holótipos para transporte e tomografia em outras cidades, gentilmente nos mostrou a mais recente aquisição da coleção de pterossauros, um belíssimo exemplar de Ctenochasma da Formação Mörsheim. Claro, o belo dia de verão foi encerrado com um churrasco teuto-argentino, para comemorar o reencontro.

ImagemSala do Oliver na Bayerische Staatssammlung für Paläontologie und Geologie

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Churrasco de comemoração do projeto na casa dos Rauhut

Em Berlim, tivemos o prazer de trabalhar com nossos colaboradores Gabriela Sobral (por sinal, ela é a idealizadora do projeto de tomografia) e seu orientador, Dr. Johannes Müller. Graças aos esforços deste pesquisador, o Museum für Naturkunde possui um moderno micro-tomógrafo de raios-x Nanotom. Nele, foram tomografados exemplares de tamanhos menores, como vértebras. Também fomos convidados a dar uma palestra sobre pterossauros e sobre nosso projeto em conjunto.

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Gabi Sobral apresenta o Nanotom

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Analisando os resultados da primeira tomografia

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Apresentando a palestra “Pterosaur diversity and the use of modern techniques in their study”

Em Bonn, comparecemos ao Steinmann Institut für Geologie, Mineralogie und Paläontologie, onde tomografamos dois exemplares de Pterodactylus em um outro tomógrafo de raios-x, V|tome|X, o qual comporta espécimes maiores do que o tomógrafo de Berlim.

Além de consistirem em importantes parcerias com instituições alemãs, os resultados destas tomografias serão alvo do trabalho de conclusão de curso de dois alunos de graduação do CCA-UFES, Evellyn e Richard, além de contribuir importantes dados à tese de doutorado da Gabriela (bolsista CAPES/DAAD), sobre a evolução da audição em répteis.

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